Pois parece que então a vida decidiu dizer que eu não podia não parar pra pensar.
Uma sequência de eventos como eu vivi inúmeras vezes, a coisa mais simples: subir uma escada. E o resultado: pé quebrado. Minha culpa.
Quem manda não trabalhar o corpo e ter musculatura para proteger os ossos?
Quem manda ser desatenta?
Quem manda achar que pode ser desleixada para sempre com o corpo e que nunca isso vai dar merda?
Fraturinha besta, nem dói se não mexer o pé.
O que dói é a impossibilidade de fazer as coisas no meu passo,
de ir aos lugares que quero sem dar satisfação,
não depender da ajuda de ninguém,
é de não ter liberdade.
Além disso, perceber o quanto essa liberdade é frágil, em especial pela falta de dinheiro. Que é minha culpa.
Por não ter negociado um salário melhor;
Por não fazer entregas em forma de projetos com uma bonificação atrelada;
Por ser benevolente demais com a falha dos outros;
Por ser negligente com meu próprio tempo;
Por achar que vou ser reconhecida como era na época da escola. Ou just because.
Esse pé quebrado está me obrigando a pensar nas atitudes que sempre negligencio. Então, como diz o mapa astral: melhor fazer as mudanças fundamentais agora, antes que o tempo passe e eu tenha que lidar com elas com mais rugas, mais cabelos brancos, músculos mais fracos e menos paciência ainda.